Lah em Cingapura


VOCÊ ESTÁ GORDO E DOENTE

Texto publicado originalmente em 01-Março-2010

Uma das coisas que mais me chamaram a atenção na Ásia, foi o tipo de abordagem que as pessoas fazem contigo. Facilmente, um estranho que você acabou de conhecer pode perguntar qual é o seu salário mas isso não quer dizer que ele está realmente interessado para poder se aproveitar e nem que isso possa oferecer um risco pessoal. Essa situação é impensável que aconteça no Brasil, por exemplo.

 

Uma outra situação é a de uma pessoa que trabalha contigo, venha e fale na cara dura que “você está engordando. Tá comendo muito?” Na nossa educação, é difícil imaginarmos chegar em alguém falando isso pois, convenhamos, não é a coisa mais agradável de se ouvir, né?!

 

Bom, eu nunca fui um exemplo de pessoa com corpo saradão, malhado, bonito ou desejável. Desde criança fui um dos alvos para ser zuado, ter apelidos e todas aquelas coisas que toda criança passa mas mesmo assim não quer dizer que me acostumei a isso.

 

No início da minha temporada em Cingapura, eu cansei de ir para casa bravo, chateado porque aparecia um no trabalho que chegava e falava essas coisas como “sua barriga está crescendo”, “você não acha que se perder uns 5 kilos não seria melhor?”. Veja, pela visão dos asiáticos, isso não é falta de educação ou desrespeito com as pessoas mas é apenas a forma deles de conversar, como se nós falássemos “que camisa bonita”.

 

Nesse final de semana que passou, me inscrevi e participei de um torneio de tênis beneficiente, com duração de apenas 1 dias. A intenção era apenas para arrecadar fundos para 2 ONG’s. Eu estava numa ansiedade muito grande de jogar pois havia 2 anos que eu não participava de competição e acho que por causa dessa ansiedade que, faltando 4 dias, fui atingido por uma gripe horrível. Sabe aquelas que você chega a chorar cada vez que tem vontade de tossir, tamanha é a dor no peito? Então, eu tava com isso.

 

Desistir do torneio? Jamais! Nem que eu vá rastejando mas eu vou participar. Tatiana (mais conhecida como “a mulher que me aturava”) insistindo para eu ficar em casa, dizendo que era um risco para a minha saúde, que eu deveria ir para o médico. Besteira! Gripe não mata ninguém, apenas debilita. 

Na 6a feira, falei (com aquela voz rouca de doente) com algumas pessoas do trabalho sobre o torneio e todas desejando boa sorte mas uma me chamou atenção:

-         Você vai jogar amanhã? – pergunta uma das secretárias (asiática, por sinal)

-         Sim! Nem que eu jogue dopado mas quero entrar em quadra.

-         Você sabe que não tem chance de ganhar, né?!

-         Como assim? Porque não tenho? Eu jogo bem.

-         Thiago, você está gordo e doente! Você vai perder. – profetiza a secretária

 

Não é animador quando alguém te dá uma força dessas?

 

É falta de educação falar assim? É errado? Eu acho que não, faz parte de cultura deles, só nos cabe aceitar e respeitar cada um. Mas que é um baque, isso é.

 



Escrito por Thiago Gomes às 21h42
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